sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Derrubando preconceitos

Vou transcrever um email de uma pessoa que está contribuindo e que me emocionou. Suprimo algumas partes para focar melhor:

"Olá, Laercio!
Em primeiro lugar, gostaria de dar os parabéns por socorrer a Nina.
Já é difícil alguém estender a mão a um cão qualquer, quanto mas a um Pit Bull.
A história dela é meio parecida com a do meu Popó (a veterinária quem deu esse nome pq ele lutou pela vida). Foi atropelado e um desalmado o levou ao consultório onde ela trabalhava. Deixou a eutanásia paga e foi embora. Assim que minha veterinária chegou, encontrou ele lá, com a pata quebrada e o olhar triste.
Graças à ela, hoje eu tenho meu companheiro querido na proteção animal.
Brigo por essas criaturas mesmo, já ouvi na rua (ouço toda vez que passeio com ele ou resgato um cão) que devo ajudar velhos e crianças, mas te digo: os cães são criaturas de Deus, estão aí para a gente cuidar. Meu primo resgatou um vira-lata que estava sendo apedrejado por crianças, e aí? Só pq são crianças quer dizer que são anjinhos? Nem sempre!
(...)
Dá um beijo naquelas bochechas gostosas da Nina pra mim, ok?
Att,
Fabiana Auer
Analista de Sistemas e Ativista animal"

Me emocionei porque eu mesmo tinha esse preconceito contra pitbulls. Testemunhei meu filho ser salvo por minha mãe de um ataque e fiquei traumatizado. Até hoje tento não imaginar o que aconteceria com ele se aquele cão tivesse conseguido atacá-lo sem defesa.

Estávamos numa casa com um grande quintal, à noite. No escuro, escondido por arbustos, um cão enorme latia, mas o dono nos garantiu que não havia perigo na chegada. Quando estávamos indo embora, o cão usou uma força enorme para se soltar, e conseguiu. Eu estava uns cinco metros adiante e só percebi um vulto passando por trás. Tinha um alvo definido: meu filho. Minha mãe estava próxima e teve uma reação rápida e instintiva: abraçou-o e começou a girar. O cão, depois de ter errado o primeiro bote, passou a girar também por terríveis e intermináveis momentos, enquanto o dono, o filho do dono, todo mundo tentava segurá-lo. Finalmente foi dominado e meu filho, aos prantos, saiu da casa abraçado a minha mãe. Aquela cena me deixou perplexo, mas o que mais me chocou foi a frieza do dono e sua família, agindo como se tudo aquilo que acabara de acontecer fosse a coisa mais natural do mundo.

Vejo jovens exibindo estes cães como sinal de virilidade. Vejo espécimes ferozes defendendo portões de fortalezas. Percebo o sucesso da raça por ter uma ferocidade e força que podem ser desenvolvidas e potencializadas. Verdadeiras armas. E aí comecei a ver que o problema não estava na raça, mas sim no manuseio praticado por outros animais: os da raça humana. Nina foi; é para mim a prova definitiva de que a raça pode ser extremamente dócil. Ela não rosna nem ameaça a ninguém, mesmo quando está sendo tocada na região das fraturas. Não apresentou qualquer comportamento agressivo com meu cachorro (Johnny, um Schnauzer mini), que é bem menor. E tem um olhar dócil que conquistou a mim logo de saída. Percebo pela reação de vários leitores que esse olhar exerce este poder até na foto que ilustra o post do atropelamento.

Enfim... quebrei a regra de fazer posts curtos, então agora corro com as informações: Nina parece feliz por ter encontrado um lar, mesmo não sabendo, como eu, se é um lar definitivo. Está se alimentando e dormindo bem. Estamos usando fraldas nela para facilitar a limpeza. Tem reagido bem à medicação e a diarréia diminuiu muito, logo deve normalizar. Não dá pra saber se ela estava mal antes ou se é resultado da nova dieta, mas estamos cuidando disso pra não atrapalhar a operação. Os ferimentos superficiais do acidente no peito, patas, boca e cabeça estão cicatrizando bem, sem complicações.

Hoje fiquei um bom tempo acariciando-a. Ela já reconhece as pessoas que a estão tratando balançando o rabo. Não a ouvi latir ainda. Fiquei um tempão fazendo carinho, ela até tentou mostrar a barriga mas deve ter doído e ela só deitou de lado e fechou os olhos. Quando parei e saí de perto, ela tentou desesperada vir atrás de mim, pedindo mais carinho. Como não resistir?

Além das doações em dinheiro tenho recebido muitas manifestações positivas. Em número absolutamente maior do que as críticas, devo dizer. Estas manifestações dão força a todos nós para continuar na tarefa de devolver qualidade de vida para Nina. Muito obrigado a todos.

Para complementar, alguns links informados no email da Fabiana Auer, a quem agradeço por permitir a publicação do email.

"Estou te mandando alguns links para você me conhecer um pouco melhor, ok?
Primeiro evento do grupo Adote um Pit Bull

Programa Dia Dia da Band - trabalho da Pitcão e resgate do Hórus

Trabalho da PitCão

7 comentários:

  1. Conheço de perto o que é o preconceito. Tenho duas rottweilers (uma Nina, inclusive) que são dois anjos na terra, porque criadas para serem sociáveis. Cão de guarda não precisa ser treinado para matar. Ele sabe guardar sem fazê-lo. Ele sabe quem lhe oferece perigo e quando agir. Já me acostumei a olhares tortos quando passeio com as duas, que, aliás, nem se ocupam sequer em prestar atenção nessas pessoas. Ficam quietas, sentadinhas e não incomodam nem um mosquito. Você foi muito corajoso e tenho certeza de que, se ficar com a Nina em definitivo, ela irá retribuir sua coragem e a da sua família, de quem eu já virei fã de carteirinha. Parabéns novamente e espero novas notícias do anjinho.

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  2. Laércio, se der fique com ela. Quando eu achei 2 gatinhos na rua era um domingo a tarde. Na segunda pela manhã, fui à Pet shop comprar potinhos, ração, caminha e bacia de areia, tudo provisório, mas com um nó na garganta.
    Perguntei se alguem queria, mas a atendente disse: fique com eles, Deus os colocou no seu caminho. Pode parecer bobagem, mas eu não queria muito e nem achava que Deus participara disso. Porém quando cheguei em casa dei de cara com as duas bolinhas aninhadas uma na outra e decidi que ficaria com eles. Passou 7 anos e mais um gatinho apareceu. Olho para eles e tenho vontade de chorar, pois de lá para cá só tive felicidade.
    Fique com a Nina, sempre cabe mais um.

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  3. Laercio, acabei de descobrir: sou sua prima!!!!
    Sou a esposa do Vagner. Putz, que coincidência muito legal!! Beijos e vamos continuar ajudando os bichinhos.

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  4. preconceito existe até com os animais... :/

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  5. Oi, Nivea! Prazer te "encontrar" por aqui :)

    Lembrei do Vagner estes dias por causa da Nina, que coincidência!

    Vamos ajudar sempre!

    Mande um abraço pro Vagner.

    Beijos!

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  6. Tenho dito várias vezes entre meus conhecidos:o problema do cão é o dono.Felicidades e beijo na Nina.

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  7. Laercio, meu avô alemão, veterinário e bacteriologista, teve inúmeros clientes cujos donos deixavam os animais com ele para sacrificar. Meu avô Fritz acabou abrigando 18 cães em casa. Ele recuperava os bichinhos e os adotava.

    Donos desalmados existem muitos, mas existem também os anjos que zelam por estes animais.

    God bless!

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